Lições sobre a operação do BOPE na Ponte Rio-Niterói

1 ano da morte de Marielle

Não vim aqui para dizer que um CPF foi cancelado, nem celebrar a morte de um homem, nem fazer piada com a desgraça alheia, nem ignorar a dor de parente enlutado. O evangelho não me permite fazê-lo.

Meu propósito é, antes de mais nada, agradecer aos policiais do BOPE por terem salvado 31 vidas. Não apenas isso, ressaltar a importância da observância de certos princípios em ações policiais.

O que vimos hoje, se for seguido nas complexas operações policiais nas comunidades pobres das grandes cidades brasileiras, preservará a vida do morador pobre, que muitas vezes paga pelo que o bandido fez. O que merece destaque no que vimos?

  1. A importância do preparo técnico e psicológico do policial. O que requer investimento.
  2. O valor de seguir protocolos consagrados pelas mais bem preparadas polícias do mundo inteiro, e que sejam do conhecimento público.
  3. A preço incalculável de deter o bandido sem expor ao risco de morte cidadãos inocentes. Pense naquele ônibus como se fosse um barraco, e nas pessoas que estavam na Ponte Rio-Niterói, como se fossem moradores de favela indo para o trabalho ou levando filho para a escola.

Vale também destacar, a gratidão que devemos ter por esses homens, que diariamente se expõe ao risco de morte para defender o seu e o meu direito à vida. Sem eles, não há como viver em sociedade.

Observe que não se ouviu voz condenando a ação policial. Mesmo para um militante dos direitos humanos como eu, que tem cada homem e mulher como seres criados à imagem e semelhança de Deus, numa hora como essa tem de reconhecer que o mal menor (a morte do sequestrador) evitou o mal maior (a morte dos passageiros).

Antônio Carlos Costa

Foto: Manifestação da ONG Rio de Paz em memória dos policiais militares que foram assassinados no Estado do Rio de Janeiro. Direitos humanos não têm lado.

Todos nas Ruas

1 ano da morte de Marielle

No espaço de quatro dias, duas grandes manifestações públicas no Brasil. Milhares nas ruas, movidos por motivos e paixões diferentes. É justo e oportuno os brasileiros saírem das redes sociais a fim de lutarem por um país no qual o direito a justiça fluam como um rio caudaloso.

O que impede, contudo, os que protestaram domingo passado e os que protestaram hoje de se unirem a fim de lutar pelos direitos dos que clamam por justiça, mas são historicamente ignorados pelas autoridades públicas brasileiras?

Nossos protestos crescerão em beleza, simetria e legitimidade quando a dor dos despossuídos nos levar a passar por cima das nossas preferências políticas e nos unir a fim de lutarmos por aqueles cujas vidas não estão na pauta das nossas reivindicações.

Este ano, soldados do exército brasileiro mataram um músico e um catador de lixo, mais de 50 detentos foram mortos em presídios do Amazonas e um menino teve a vida interrompida por bala perdida no Rio. Por que não houve comoção pública?

A mulher da foto é a Edna Ezequiel, mãe da menina Alana, morta em 2007 numa troca de tiros entre PMs e traficantes no Morro dos Macacos, em Vila Isabel. Ela faz parte do Brasil que ignoramos.